O cheiro de pamonha que para quem passa nas ruas de Juruaia
Tulio Marques e suas pamonhas: o aroma do milho cozido nas ruas de Juruaia é um dos sabores mais autênticos da tradição gastronômica mineira Foto: DivulgaÃ...
Tulio Marques e suas pamonhas: o aroma do milho cozido nas ruas de Juruaia é um dos sabores mais autênticos da tradição gastronômica mineira Foto: Divulgação. Tem um momento em Juruaia que dispensa apresentação. É quando Tulio Marques abre sua caixa de pamonhas na rua e o aroma do milho cozido se espalha pelo quarteirão. Não demora muito para aparecer o primeiro cliente, e geralmente não é dali. "Com frequência, encontramos pessoas de fora da região que adquirem nossos produtos. Ao abrirmos nossa caixa com pamonhas, o aroma se espalha, e acredito que esse seja o produto de maior destaque do nosso negócio", conta ele, com a naturalidade de quem descobriu na comida mineira uma vocação que o pedreiro e mestre de obras de 16 anos em Guarapés não sabia que tinha. A virada de Tulio é recente, mas o negócio já mostra resultado. Num pequeno comércio que começou do zero, ele vende pamonha, rosca caseira, pão de queijo, bolo de milho verde e salgados assados, tudo produzido de forma artesanal, com receitas simples e ingredientes que o interior mineiro conhece bem. "Apesar do pouco tempo de atividade, nosso negócio já está conquistando clientes. Muitos deles, inclusive, vêm de fora da região", afirma. A força do simples O que faz o negócio de Tulio funcionar é a mesma coisa que faz a culinária mineira resistir ao tempo: a qualidade do básico bem feito. Não há cardápio elaborado, não há técnica de chef, há milho fresco, massa bem temperada e o cuidado de quem sabe que uma pamonha boa não precisa de enfeite. Em Juruaia, onde o milho verde é cultivado na região e chega direto para a produção, esse cuidado tem sabor e tem endereço. A sazonalidade faz parte da rotina. "Se pudesse, dobraria a produção, pois há demanda, especialmente com a chegada do inverno. É a época em que o milho verde, cultivado em nossa região, se torna mais escasso, devido à menor oferta de plantações irrigadas", explica Tulio, que já planeja crescer na mesma medida em que a clientela cresce. Uma rede que se apoia Um dos aspectos mais interessantes da história de Tulio é a forma como os estabelecimentos locais se tornaram aliados do seu negócio. "Contamos com o apoio dos estabelecimentos locais, que nos ajudam a vender nossos produtos. Por exemplo, clientes que procuram pamonha são direcionados a nós", conta, num exemplo concreto do espÃrito colaborativo que marca o comércio do interior mineiro. Esse apoio mútuo entre pequenos negócios é o que sustenta a cena gastronômica de Juruaia além dos restaurantes e pesqueiros mais conhecidos, e é o que garante que um visitante que chega à cidade em busca de lingerie saia também com uma caixa de pamonha debaixo do braço e a memória do cheiro que parou no meio da calçada.